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sábado, 24 de março de 2018

"O caminho se faz ao caminhar " (Antônio Machado)

Andanças e apredizado a cada nova experiência, a cada novo caminho. Lecionar com e para as atividades físicas (dança, ginástica, jogos e recreação) me aproxima das possibilidades humanas de desenvolvimento e aprendizado. Cria-me esperança para uma sociedade mais igualitária nas oportunidades de acesso à informação, às ciências e ao bom uso delas. Possibilita-me reconhecer algo de profundo e transcendental em nosso interior e para além dele, incapaz de ser traduzido em palavras, mas pelas sensações e percepções no mundo que vivemos. Caminhar é estar em movimento, é elaborar e reelaborar caminhos, encontros, reencontros, desencontros e presença. Identificar regras para superá-las a cada nova necessidade coletiva. Movimentar-se para evoluir e acreditar na possibilidade de mudanças dentro e fora de cada um de nós. Descobrir-se nas limitações e se fortalecer para identificar e apaixonar-se pelo potencial latente. Estar flexível no corpo e na mente. É resistir para perseverar.  

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Movimento, dança e criatividade

Para Laban (1978), o domínio do movimento tem como eixos: a parte do corpo que se move, a direção, a velocidade e a intensidade. Dimensionados no espaço, tempo e peso. Combinados com ações funcionais de empurrar, saltar, girar, rolar. Impulsionados pela emoção, sentimentos e percepção do meio que nos cerca. 
Essa definição por si só, já favorece um potencial criativo e libertador, tornando qualquer pessoa capaz de se expressar pela dança. Além disso, ao combinar os movimentos corporais no espaço, na interação ou não com outras pessoas e/ou objetos em um determinado ritmo, seja o musical ou o ritmo do próprio corpo, descobrimos uma essência humana que baila. 
Muitas pessoas acreditam não serem capazes de dançar, por não identificarem ou reconhecerem sua capacidade rítmica e de coordenação motora para expressão corporal. No entanto, esse potencial só depende de um canal apropriado para ser descoberto, porque movimento e ritmo caminham lado a lado. 


Referência:
LABAN, Rudolf. Dominio do Movimento. ED.Summus, 1978.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Benefícios para quem dança

Para a cultura oriental a dança estimula o 'Chi', considerado algo além de nossa energia vital, que está em nossa essência. Em nossa cultura sabemos que a dança promove sensação de prazer e bem estar, estimulando a liberação de endorfina e serotonina, que são considerados os hormônios da felicidade. Além disso, os exercícios técnicos podem melhorar a postura, o condicionamento físico, a flexibilidade, o equilíbrio, o ritmo, a expressão corporal e a coordenação motora; bem como, a montagem coreográfica estimula a memória. Para muitos, dançar também aumenta a auto estima e a auto confiança. Com todos esses benefícios dá pra ficar parada? 



quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Jazz Dance Fit

Jazz Dance é uma dança com base no improviso e na mistura de técnicas de outros estilos, desenvolvida de forma mais estilizada.  Sua raiz é popular em sua essência e está ligada ao surgimento do ritmo musical nos Estados Unidos, com influência africana muito forte. 
Jazz Dance Fit visa, além do aprimoramento técnico dessa dança, aprimorar também a performance do praticante de modo a aumentar a flexibilidade, a força e a resistência física de forma prazerosa.
Formada em educação física, com a experiência na dança e na ginástica desde 1984 e especializada em didática do ensino da dança e ginástica pela UERJ, pretendo tornar acessível essa prática para todas as pessoas. 


   

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Método Holos: uma proposta para a dança inclusiva com cadeira de rodas

Profª Ms Soyane Vargas e Prof. Ms José Guilherme Almeida

Resumo

Holos é uma palavra grega que significa holístico ou holismo. Nessa visão holística consideramos que o ser humano ou outros organismos não podem ser explicados pela soma de suas partes, mas levamos em consideração o todo, defendendo que o todo determina o comportamento de suas partes. Na visão holística o mundo está integrado como um organismo (CAPRA, 1982).

Didática:
¢Objetivo: para que ensinar?
¢Conteúdo: o que ensinar?
¢Método: Como ensinar?

Dança
A dança tem se apresentado como uma excelente possibilidade de integrar pessoas com e sem deficiência, na prática de atividades físicas e no acesso à arte. A proposta de unir pessoas com e sem deficiência sob a mesma prática exige uma especificidade que não é atendida pelos modelos estabelecidos, sem negar o conhecimento produzido até o presente, pois é nele que nos baseamos para direcionar a prática da dança inclusiva.

Procedimentos que antecedem 
à aula
Verificados os quesitos da acessibilidade, passamos ao direcionamento individual da proposta para cada aluno, sendo essencial conhecê-lo a partir da anamnese (idade, histórico do tipo de deficiência, da evolução, das práticas em reabilitação e atividades físicas e expectativas dos alunos) e, especialmente, da avaliação funcional dos movimentos existentes e dos sentidos remanescentes. No caso de usuários de cadeira de rodas, avaliamos o domínio das técnicas de manejo da cadeira de rodas, a funcionalidade do tronco e membros superiores. No caso de pessoas com outras deficiências, a coordenação motora, o equilíbrio, o deslocamento e a amplitude de movimentos. Por isso, um pré-requisito importante é o conhecimento das características principais de cada tipo de deficiência, em geral, para correlacioná-las com as características individuais de cada pessoa, em particular.
    Uma exigência para a segurança tanto do aluno quanto do profissional no desenvolvimento da proposta deve ser a apresentação do atestado médico.

A aula propriamente dita

Após todo o procedimento de preparação, passamos ao desenvolvimento da aula propriamente dita de dança inclusiva com cadeira de rodas, subdividindo didaticamente a seguir, para melhor compreensão e organização.

Primeira parte: preparação 
para a aula

Ao iniciarmos a aula, observamos a importância do contato professor/aluno/bailarino, especialmente ao postularmos o papel da relação entre estes, essencial na mediação do conhecimento e no alcance dos objetivos propostos. Quando o professor inspira confiança pelo conhecimento que possui, boa capacidade de comunicação, empatia, atenção e flexibilidade na relação com o aluno/bailarino, pode favorecer a maior disponibilidade deste para realização das atividades propostas em aula.
    Nesse momento, propomos conversar sobre a aula, contextualizando o conteúdo proposto, considerando os conhecimentos trazidos pelos alunos/bailarinos para traçar os objetivos, direcionar sua estrutura, aprimorar conceitos rítmicos e/ou utilizar dinâmicas que estimulem a atenção, a concentração, a expressão facial e corporal. Utilizamos uma duração de 5 a 15 minutos para estas atividades.

Segunda parte: aquecimento corporal
Essa etapa da aula tem como objetivo preparar o corpo buscando condições ótimas pra melhoria da condição orgânica para o esforço, melhoria da capacidade geral de coordenação dos movimentos, otimização psicológica para o esforço e prevenir lesões (FARIA JUNIOR, 1999).
    Além dos objetivos fisiológicos, devemos nos valer desse momento para a interação entre os alunos e para estimulá-los na participação da aula.
    Dentre as atividades utilizadas nessa parte estão: movimentação de diversos músculos e articulações, deslocamentos em diferentes planos e direções, alongamentos, jogos teatrais dinâmicos, entre outras relacionadas ao movimento, ao ritmo e a expressividade. Propomos uma duração de 5 a 15 minutos.
    É importante lembrar que os movimentos devem ser direcionados às possibilidades e especificidades de cada aluno. Por exemplo, os usuários de cadeira de rodas demandam um aquecimento maior dos membros superiores do que os andantes, e os andantes demandam expressivo aquecimento dos membros inferiores, de forma que as propostas devem atender às especificidades de todos os alunos.
Terceira parte: aperfeiçoamento 
da técnica

 De acordo com a proposta coreográfica, aprimoramos a técnica a ser utilizada. Consideramos um momento importante, que necessita respeitar os níveis de conhecimento do profissional em relação ao estilo de dança que ele domina e a técnica específica da dança em cadeira de rodas, que aqui é defendida como um estilo próprio.
    Durante 15 ou 30 minutos, trabalhamos de forma diferenciada de acordo com a necessidade e potencial de cada aluno/bailarino. É preciso levar em consideração as habilidades motoras, os conhecimentos prévios, o condicionamento físico, as características da deficiência e a adaptação do sujeito a elas, de forma a direcionarmos as propostas eficientemente, proporcionando um desenvolvimento qualitativo do ser na dança.
    Dividindo a turma em grupos pra melhor organização e andamento da aula, propomos, por exemplo, para os andantes o desenvolvimento das técnicas já estabelecidas pela dança ordinária (balé clássico, jazz dance, dança contemporânea, etc.). Desde deslocamentos até giros e saltos, respeitando a proposta adotada pela turma, desenvolvemos o potencial individual do aluno/bailarino.
    Para usuários de cadeira de rodas, o domínio das técnicas de manejo da cadeira de rodas é essencial no desenvolvimento da autonomia, diversidade e fluidez (ALMEIDA, BOMFIM, 2013). Diversas habilidades podem ser desenvolvidas nesse momento, como: deslocamento para frente; deslocamento para trás; giro completo; meio giro; 1/4 giro; virar na diagonal; giro em volta; passar por cima; sair da cadeira; inclinação lateral; empinar frontalmente e empinar para trás, por exemplo. Podendo utilizar velocidades e intensidades diferentes, variando os direcionamentos, entre outros estímulos. Esses exercícios podem ser propostos em correlação com a música, dificultados com obstáculos e realizados em interação com um parceiro cadeirante.
    Enquanto isso, para pessoas com deficiência visual, podemos desenvolver o equilíbrio e a percepção rítmica através do tato, além de estimular o desenvolvimento das técnicas já estabelecidas pela dança ordinária com especial atenção ao desenvolvimento da consciência corporal por meio do direcionamento oral e tátil.
    Dessa forma, buscando os pontos necessários a cada um, podemos seguir realizando adaptações para pessoas com deficiência auditiva, deficiência intelectual, idosos, entre outros.
    Além dessas propostas por grupo, desenvolvemos momentos de interação, especialmente em duplas, priorizando as formações de uma pessoa com e outra sem deficiência, ou de duas pessoas com deficiências/potencialidades diferentes.
 Quarta parte: composição
 Esta fase tem por objetivo a utilização da técnica desenvolvida na composição coreográfica. Ao longo de 15 ou 30 minutos, podemos definir um tema e uma música/trilha sonora, e a partir das técnicas trabalhadas e as que os alunos/bailarinos já possuem, buscamos desenvolver uma composição coreográfica.
    No processo de composição é imprescindível utilizarmos a pesquisa de movimentos que comuniquem o tema escolhido, especialmente abrindo espaço para que os alunos possam explorar suas possibilidades. A interação entre os alunos/bailarinos também se faz essencial, tanto no quesito espaço e tempo, como na realização de movimentos em dupla, trio ou grupo.
    Juntamente ao processo de composição, definimos os desenhos da coreografia, os quais devem ser cuidadosamente pensados para que a pessoa com deficiência, em especial os usuários de cadeira de rodas não sejam encobertos por alunos/bailarinos sem deficiência, tanto em localização quanto em exibição (performance). Temos preferência por colocar as pessoas com deficiência em evidência tanto quanto os alunos/bailarinos sem deficiência, sob a intenção de ressignificar suas relações sociais e sua presença no palco em equidade. Todos devem assumir um papel importante na coreografia.
Quinta parte: finalização
Num período final de 5 a 10 minutos, objetivamos retornar a um estado fisiológico mais próximo do repouso, compensando os estresses produzidos durante a aula, nos valendo de atividades com alongamentos e relaxamento corporal.
    É importante considerar que, numa turma de dança inclusiva com cadeira de rodas, os diferentes sujeitos se valem de diferentes movimentos, culminando em diferentes esforços e estresses. Sendo assim, precisamos direcionar um relaxamento que se adéqüe às possibilidades e necessidades corporais de cada sujeito presente na aula.
    Por exemplo, usuários de cadeira de rodas necessitam de maior relaxamento nos membros superiores e no tronco, em especial, na região lombotorácica da coluna vertebral, enquanto isso, pessoas sem deficiência podem necessitar de maior relaxamento nos membros inferiores, e pessoas que utilizam muletas tendem a necessitar de maior relaxamento na região cervical e dos ombros.

Algumas considerações
Ao longo desses anos temos conseguido realizar trabalhos coreográficos com qualidade artística, aprimorando o potencial dos alunos/bailarinos com e sem deficiências, com grande possibilidade de melhoria da qualidade de vida dos praticantes. No entanto, encaramos cada aula e cada novo trabalho como um desafio a ser enfrentado, especialmente por saber que, antes de tudo, lidamos com seres humanos que são influenciados e influenciam significativamente em todo processo.
    Nossa proposta tem por eixo central a participação em igualdade de condições, construída a partir da valorização do potencial individual de cada sujeito; ou seja, valorizando-o numa perspectiva holística, independente deste possuir deficiência ou não. Com o estabelecimento de cinco (05) partes para o direcionamento do trabalho, buscamos oferecer subsídios para o desenvolvimento de uma dança que transcenda propostas com um tipo de deficiência, um nível de habilidade e um tipo corpo específico, possibilitando a inclusão de diferentes sujeitos na dança.
    Propomos um método sistematizado mas não fechado, (re)construindo-o a partir de novas experimentações realizadas a cada aula, e a medida que interagimos e aprendemos com todos. 

Referência Bibliográficas
ALMEIDA, José G. A., BOMFIM, Soyane A. V. do. Manejo da cadeira de rodas, uma investigação metodológica para a dança em cadeira de rodas. Lecturas, Educación Física y Deportes, Buenos Aires, año 17, n. 176, jan. 2013. http://www.efdeportes.com/efd176/a-danca-em-cadeira-de-rodas.htm
ÁVILA, N. R. de. O sentido subjetivo da dança sobre rodas. Brasília: [s.n.], 2005. ix, 120 f. il. Dissertação (mestrado). Faculdade de Educação, Universidade de Brasília.
BERNABÉ, R.. Dança e deficiência: proposta de ensino. Campinas, SP: [s.n.], 2001. 97 p. il. Dissertação (mestrado). Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas.
BOMFIM, Soyane A. V. do. ALMEIDA, José G. A., SANTOS, Dayana F. dos. Representações da dança inclusiva com cadeira de rodas para pessoas com deficiência. Lecturas, Educación Física y Deportes, Buenos Aires, año 17, n. 167, abr. 2012.
CAPRA, F. O ponto de Mutação. São Paulo: Cultrix, 1982.
ELIAS, Norbert. A sociedade dos indivíduos. Rio de Janeiro: Zahar, 1994
ELIAS, Norbert; SCOTSON, John L. Os estabelecidos e os outsiders, sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Zahar, 2000.
FARIA JUNIOR, Alfredo Gomes de. A aula para idosos. In: D’ÁVILA, Félix Ginástica, dança e desporto para a terceira idade. Brasília: SESI/DN; INDESP, 1999.
FERREIRA, Eliana L. Corpo-movimento-deficiência: as formas dos discursos da/na dança em cadeira de rodas e seus processos de significação. 2003. 243f. Tese (Doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação Física, Campinas, SP: [s.n], 2003.
FERREIRA, Eliana L. Dança em cadeira de rodas: os sentidos da dança como linguagem não-verbal. 1998. 153f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Educação Física, Campinas, SP: [s.n], 1998.
FERREIRA, Eliana L. Dança Esportiva em Cadeira de Rodas. In: FERREIRA, Eliana L. Atividades Físicas Inclusivas para Pessoas com Deficiência. 2. ed. Niterói: Intertexto, 2011. vol. 5.
FERREIRA, Eliana L. Proposta metodológica para o desenvolvimento da dança em cadeira de rodas. Conexões, Campinas – SP, vol. 6, p. 38-48, 2001.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 17ª Ed. Rio de Janeiro: paz e Terra, 1987.
FUX, M. Depois da queda... dançaterapia!. São Paulo: Summus, 2005.
GOFFMAN, ErvingEstigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008.
LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.
MARTINS, S. Sobre rodas...? :exemplo de singularidade. In: BIÃO, Armindo; PEREIRA, Antonia; CAJAÍBA, Luiz Cláudio; PITOMBO, Renata (org.). Temas em contemporaneidade, imaginário e teatralidade. São Paulo: Annablume, 2000. p. 266-268. Outra imprenta: Salvador: GIPE-CIT.
MATTOS, E. de. Perspectivas das pesquisas em dança em cadeira de rodas. Conexões: Educação Física, Esporte, Lazer, Campinas, SP, n. 6, p. 75-77, 2001.
MORAES, Ana Beatriz R. de. ALMEIDA, José G. Discursos dos coreógrafos de dança para pessoas com deficiência. In: ORLANDI, Eni P. et. al. Encontro de Estudos da Linguagem. 5. Anais... Pouso Alegre, MGUNIVÁS, 2014.
ORLANDI, Eni P. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. 11ª ed. Campinas, SP: Pontes, 2013.
SASSAKI, Romeu K. Acessibilidade na inclusão escolar e laboral. In: FERREIRA, Eliana L. Atividades Físicas Inclusivas para Pessoas com Deficiência. 2. ed. Niterói: Intertexto, 2011. vol. 3.
SILVA, E. M. da. Para além da dança: o caso Roda Viva. Natal: [s.n.], 2006. 130 f. il. + anexos. Dissertação (mestrado). Centro de Ciências Sociais, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
TOLOCKA, Rute E. VERLENGIA, Rozangela. (Org.) Dança e diversidade humana. Campinas, SP: Papirus, 2006.
VARGAS, S. Dança sobre rodas: desafios e possibilidades. Lecturas, Educación Física y Deportes, Buenos Aires, año 13, n. 122, jul, 2008. http://www.efdeportes.com/efd122/danca-sobre-rodas-desafios-e-possibilidades.htm



quarta-feira, 4 de novembro de 2015

CIA HOLOS DE DANÇA TEATRO

Um presente para nós dividir o palco com a grande bailarina Ana Botafogo


 Cia Holos de Dança Teatro - Teatro da UFF - Projeto Migrações

 FRAGMENTO DE ¨ LAPA

Coreógrafos  Soyane Vargas, José Guilherme, e Fidel Reis - Intérpretes: Bárbara Braga, Bel Bebel, Ety Faria, Fidel Reis, José Guilherme, Jordan Cardoso, Kolynos, Natália Caetano, Símie Avelino.
Fotografia: Manoela Lemos, Joana Kossatz e Marian

https://youtu.be/2lm4i68ITt8

terça-feira, 3 de março de 2015

sábado, 31 de janeiro de 2015

Boa forma!!!

2015
Ano de recuperar minha boa forma!



Além do trabalho que desenvolvo, usarei esse espaço para compartilhar minhas conquistas e dividir as dificuldades. Essa é uma forma que encontrei para incentivar a minha autodisciplina e outras pessoas que têm objetivo semelhante.

Como professora de educação física, ministro aulas de dança e expressão corporal. Mas, nos últimos anos não busquei tempo para praticar e cuidar de mim mesma. Agora estou em busca de reeducação alimentar e prática regular de exercícios físicos.

Por favor, as dicas compartilhadas aqui não devem ser seguidas como "receita de bolo". É preciso respeitar a individualidade biológica e os limites do próprio corpo, cada um deve encontrar seu próprio caminho com ajuda de um profissional da área. 

Para começar,  apostarei nas atividades aeróbias 
(caminhadas + exercícios no aparelho "transport") 
e fortalecimento muscular, por meio de exercícios de sustentação. Muito usados por bailarinos.
(Yannick Lebrun in Alvin Ailey's 'The River.' Photo by Paul Kolnik)

Vejam os músculos fortes e bem definidos nessa foto, mas ninguém precisa ser bailarino ou atleta para conquistar um corpo belo e saudável. 

Vou começar pelos exercícios em "prancha" :


ATENÇÃO!!! 
Esses exercícios devem ser praticados com cuidado, já que exercícios estáticos (isométricos) podem não ser indicados para pessoas com hipertensão, por exemplo. No meu caso está auxiliando na recuperação do meu joelho lesionado. 

Outro cuidado importante é com a angulação articular, para não sobrecarregar os ombros e a região lombar da coluna vertebral. 


domingo, 26 de outubro de 2014

Jornal O Globo – Niterói: Hip Hop a serviço da educação

Jornal O Globo – Niterói
HIP HOP A SERVIÇO DA EDUCAÇÃO
Professora  Soyane Vargas
Entrevista completa ao Jornalista Leonardo Sodré
Dia 26/10/2014




Quando você conheceu a cultura hip hop e como surgiu a ideia de levá-la para as suas aulas?

Meu primeiro contato, profissionalmente, com o hip hop foi no início da década de 90 em cursos de aperfeiçoamento, com o grupo de Dança de Rua de Santos/SP, do professor Marcelo Cirino. Era um projeto da prefeitura daquela cidade, que envolvia mais de 2000 crianças e adolescentes. Depois da experiência com esse grupo e, com outros profissionais da área, implementei o hip hop em minhas aulas de academia e formei um dos primeiros grupos de hip hop em São Gonçalo/RJ, com o nome de Aerofunk. Naquela época era de fato uma novidade e tivemos sucesso garantido, com muitas participações em eventos e referências em jornais locais.
Em 2004, quando iniciei como professora de educação física, no município de Niterói na Escola Municipal Paulo Freire, realizei uma avaliação diagnóstica em uma das turmas do 8º ano de escolaridade. Naquela avaliação surgiu dos estudantes a proposta de usar o hip hop, como um dos conteúdos das aulas de educação física. Eles estavam tão motivados, que resolvi apresentar um projeto à direção daquela unidade de ensino, com nome de “Hip hop na escola”, onde obtive apoio da direção e da Fundação Municipal de Educação (FME). O projeto foi um sucesso, fomos selecionados na etapa do Rio de Janeiro para prêmio ‘Arte escola Cidadã’, incluímos meninos e meninas em uma mesma atividade, incluímos pessoas com e sem deficiência, formamos um grupo com muitos estudantes com deficiência auditiva, que chegou a se apresentar em um programa da TV paga, em escolas e em hospitais infantis; além disso, publiquei um relato dessa experiência em Buenos Aires http://www.efdeportes.com/efd90/hiphop.htm  

No que o hip hop contribui para a educação das crianças?

Pode contribuir muito na forma como aplicamos o Hip Hop. Este movimento em sua essência tem um caráter crítico e político. Difundiu-se nos guetos de Nova York, mas tem sua origem na Jamaica, por volta de 1960, aonde a população mais economicamente frágil, com poucas opções de lazer, ia para as ruas e ouvia músicas em sound systems (sistemas de som). Enquanto as músicas tocavam, uma espécie de mestre de cerimônia (MC) discursava sobre as carências da população, os problemas econômicos e a violência nas comunidades, caracterizando o RAP (rythm and poetry – ritmos e poesia) como um dos elementos do movimento hip hop. Além desse caráter crítico, que contribui para reflexão do tipo de sociedade em que vivemos, foi possível observar, em nosso projeto, que o hip hop contribuiu para educação das crianças, no que tange ao maior contato entre meninos e meninas de idades diferenciadas; estímulo a construção da autodisciplina e da organização; à inclusão de estudantes com deficiências, a construção de conhecimento sobre a história e os elementos do hip hop, a relação com alguns compositores da música popular brasileira e, para valorização da cidadania daquelas crianças, com a construção de um currículo que partiu do desejo e da realidade daquele local. 

Quais projetos já realizou e quais ainda pretende realizar nesta área (por favor, mencione as instituições e onde ficam)? 

Como disse anteriormente formei um grupo em São Gonçalo, no clube Tamoio e na antiga academia Sport Brazil na década de 90; depois tivemos essa experiência na Escola Municipal Paulo Freire, em Niterói. Na mesma cidade, na Escola Municipal Ernani Moreira Franco, com a sugestão de uma das professoras regentes; introduzimos o ritmo hip hop em um brinquedo cantado, com a coreografia “a barata diz que tem...”, que foi apresentado em um evento nacional de educação física, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Recentemente, realizamos esse projeto na Escola Municipal André Trouche, também em Niterói e, em 2014, coordenei o projeto de Flash Mob em 05 (cinco) escolas da rede municipal, com apoio da FME e com a parceria do grupo de dança de rua COMRUA, para o evento do 4º salão da Leitura de Niterói. Além de artigos e palestras sobre esse tema. Sempre que o hip hop tem relação com o projeto que está sendo desenvolvido pela escola, desenvolvo esse tipo projeto em minhas aulas e, se tiver outra oportunidade, voltarei a ter um projeto específico.

Como é a receptividade, dos projetos de hip hop que você desenvolve, nas instituições de ensino em que você trabalha?

Na primeira experiência na escola, apesar do apoio da maioria, ainda ouvia de alguns professores que esse tipo de projeto era muito fácil ‘agradar’ os estudantes, como se os mesmos não tivessem acesso a mais nenhum outro tipo de música. O que não era real, porque durante o projeto debatíamos tudo e descobri que muitos deles ouviam em casa outros tipos de música, como samba, rock, entre outros.  Nas outras escolas atualmente, sou muito solicitada para desenvolver esse tipo de dança, mas sempre de forma crítica e contextualizada para que possamos ir além do senso comum e quebrar preconceitos, que ainda existem em relação a esse movimento.

Como é a receptividade junto aos alunos? Na sua observação, quais os benefícios que essas atividades trazem para a educação deles? Pode relatar algum caso interessante?

A receptividade junto aos alunos é sempre boa, porque é uma das únicas danças que os meninos não criam muita resistência em participar, onde unimos de fato meninos e meninas. Acredito que atividades como essa são um ponto de partida, para construção de outros tipos de conhecimento. Em uma escola, um projeto de hip hop não deve ser um fim em si mesmo, mas algo que contribua para estimular a busca pelo conhecimento de crianças e adolescente. A dança foi libertadora em minha história de vida, por isso acredito no potencial desse tipo de trabalho. Muitos casos interessantes acontecem, vou citar apenas alguns:
Um deles foi a apresentação na UFF, em um evento com a presença de especialistas, mestres e doutores, com o atraso de um dos grupos, perguntamos qual das coreografias a platéia gostaria de rever, o púbico no auditório Florestan Fernandes gritava em sua maioria: “barata, barata, barata” se referindo a coreografia da junção do hip hop com um brinquedo cantado.
Outro caso interessante foi observar a motivação de estudantes com deficiência auditiva, que demonstravam surpreendente habilidade nesse tipo de dança. Um outro foi ver uma das crianças com deficiência múltipla, no dia da apresentação reproduzir, espontaneamente, todo trabalho que fazíamos com ela de estimulação através do hip hop, fato que emocionou a mim, á família dele e a professora regente.
Outro caso foi a mixagem que fiz com a música de Cartola “O morro não tem vez”, interpretada por Elis Regina, as crianças viviam cantarolando essa música pela escola ampliando seu interesse pela MPB também.
Além disso, as habilidades motoras demonstradas através do hip hop são impressionantes.

E junto aos pais, como é a receptividade destes projetos?


Em geral, a receptividade é boa, mas já tive casos de estudantes que não puderam participar do projeto hip hop, das aulas de capoeira e das coreografias com samba, porque a doutrina religiosa seguida pela família deles não permitia esse tipo de atividade, o mais impressionante é que esse tipo de preconceito tem muita relação com as manifestações afrodescendentes e o hip hop foi incluído nessa discriminação. Mas, felizmente, foram raros esse tipo de ocorrência. 



segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Dança em cadeira de rodas: arte, promoção da saúde e educação.



PALESTRA EM SÃO PAULO


RESUMO 

 Dança em cadeira de rodas: arte, promoção da saúde e educação.
Prof. Ms Soyane de Azevedo Vargas do Bomfim
Fundação de Apoio à Escola Técnica - FAETEC


Compreender a dança em cadeira de rodas e, por extensão, a dança para pessoas com deficiência como um direito de acesso à arte, à prática de atividade física para promoção da saúde e como exercício de cidadania, pode contribuir de forma significativa para democratizar sua prática, para aquisição de seus benefícios e para mudança de paradigma da sociedade, em relação ás habilidades da pessoa com deficiência. Além de se configurar como uma das atividades, com excelente potencial integrador no contexto educacional, quando seu desenvolvimento considera os saberes já existentes e aprimora as aprendizagens. Nossa intervenção pretende destacar a importância desses enfoques, na prática da dança em cadeira de rodas, com a criação de estratégias e procedimentos que favoreçam essas abordagens e, especialmente,atendam às expectativas e necessidades dos bailarinos/estudantes. Nesse contexto,apresentaremos algumas ações metodológicas que podem balizar a didática das aulas de dança em cadeira de rodas, servindo de ponto de partida para a construção de conhecimento nessa área. Demonstraremos também alguns resultados obtidos por nossos bailarinos/estudantes, no que tange à representação social da dança em cadeira de rodas para essas pessoas.